segunda-feira, 19 de março de 2012
domingo, 27 de novembro de 2011
FADO VADIO
Fado vadio é o fado cantado por amadores, geralmente em pequenos restaurntes.
http://www.strawberry-world.com/pt/portugal/lisboa/fado-vadio.html
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
LUSÍADAS - FORMOSÍSSIMA MARIA
100 - Preparam-se os Mouros para Invadir Castela
"Nunca com Semirâmis gente tanta
Veio os campos idáspicos enchendo,
Nem Atila, que Itália toda espanta,
Chamando-se de Deus açoute horrendo,
Gótica gente trouxe tanta, quanta
Do Sarraceno bárbaro estupendo,
Co'o poder excessivo de Granada,
Foi nos campos Tartésios ajuntada.
Afonso XI, de Castela, pede Auxílio a Afonso IV, seu Sogro
101
"E vendo o Rei sublime Castelhano
A força inexpugnábil, grande e forte,
Temendo mais o fim do povo hispano,
Já perdido uma vez, que a própria morte,
Pedindo ajuda ao forte Lusitano,
Lhe mandava a caríssima consorte,
Mulher de quem a manda, e filha amada
Daquele a cujo Reino foi mandada.
102 - Vai à Portugal a Rainha de Castela
"Entrava a formosíssima Maria
Pelos paternais paços sublimados,
Lindo o gesto, mas fora de alegria,
E seus olhos em lágrimas banhados;
Os cabelos angélicos trazia
Pelos ebúrneos ombros espalhados:
Diante do pai ledo, que a agasalha,
Estas palavras tais, chorando, espalha:
Súplica da Rainha de Castela ao Pai, Afonso IV de Portugal
103
— "Quantos povos a terra produziu
De África toda, gente fera e estranha,
O grão Rei de Marrocos conduziu
Para vir possuir a nobre Espanha:
Poder tamanho junto não se viu,
Depois que o salso mar a terra banha.
Trazem ferocidade, e furor tanto,
Que a vivos medo, e a mortos faz espanto.
104
— "Aquele que me deste por marido,
Por defender sua terra amedrontada,
Co'o pequeno poder, oferecido
Ao duro golpe está da Maura espada;
E se não for contigo socorrido,
Ver-me-ás dele e do Reino ser privada,
Viúva e triste, e posta em vida escura,
Sem marido, sem Reino, e sem ventura.
105
"Portanto, ó Rei, de quem com puro medo
O corrente Muluca se congela,
Rompe toda a tardança, acude cedo
A miseranda gente de Castela.
Se esse gesto, que mostras claro e ledo,
De pai o verdadeiro amor assela,
Acude e corre, pai, que se não corres,
Pode ser que não aches quem socorres." —
106
"Não de outra sorte a tímida Maria
Falando está, que a triste Vênus, quando
A Júpiter, seu pai, favor pedia
Para Eneias, seu filho, navegando;
Que a tanta piedade o comovia
Que, caído das mãos o raio infando,
Tudo o clemente Padre lhe concede,
Pesando-lhe do pouco que lhe pede.
107 - Batalha do Solado
"Mas já co'os esquadrões da gente armada
Os Eborenses campos vão coalhados:
Lustra co'o Sol o arnês, a lança, a espada;
Vão rinchando os cavalos jaezados.
A canora trombeta embandeirada,
Os corações à paz acostumados
Vai às fulgentes armas incitando,
Pelas concavidades retumbando.
108
"Entre todos no meio se sublima,
Das insígnias Reais acompanhado,
O valeroso Afonso, que por cima
De todos leva o colo alevantado;
E somente co'o gesto esforça e anima
A qualquer coração amedrontado.
Assim entra nas terras de Castela
Com a filha gentil, Rainha dela.
109
"Juntos os dous Afonsos finalmente
Nos campos de Tarifa estão defronte
Da grande multidão da cega gente,
Para quem são pequenos campo e monte.
Não há peito tão alto e tão potente,
Que de desconfiança não se afronte,
Enquanto não conheça e claro veja
Que co'o braço dos seus Cristo peleja.
110
"Estão de Agar os netos quase rindo
Do poder dos Cristãos fraco e pequeno,
As terras como suas repartindo
Antemão, entre o exército Agareno,
Que com título falso possuindo
Está o famoso nome Sarraceno.
Assim também com falsa conta e nua,
À nobre terra alheia chamam sua.
111
"Nunca com Semirâmis gente tanta
Veio os campos idáspicos enchendo,
Nem Atila, que Itália toda espanta,
Chamando-se de Deus açoute horrendo,
Gótica gente trouxe tanta, quanta
Do Sarraceno bárbaro estupendo,
Co'o poder excessivo de Granada,
Foi nos campos Tartésios ajuntada.
Afonso XI, de Castela, pede Auxílio a Afonso IV, seu Sogro
101
"E vendo o Rei sublime Castelhano
A força inexpugnábil, grande e forte,
Temendo mais o fim do povo hispano,
Já perdido uma vez, que a própria morte,
Pedindo ajuda ao forte Lusitano,
Lhe mandava a caríssima consorte,
Mulher de quem a manda, e filha amada
Daquele a cujo Reino foi mandada.
102 - Vai à Portugal a Rainha de Castela
"Entrava a formosíssima Maria
Pelos paternais paços sublimados,
Lindo o gesto, mas fora de alegria,
E seus olhos em lágrimas banhados;
Os cabelos angélicos trazia
Pelos ebúrneos ombros espalhados:
Diante do pai ledo, que a agasalha,
Estas palavras tais, chorando, espalha:
Súplica da Rainha de Castela ao Pai, Afonso IV de Portugal
103
— "Quantos povos a terra produziu
De África toda, gente fera e estranha,
O grão Rei de Marrocos conduziu
Para vir possuir a nobre Espanha:
Poder tamanho junto não se viu,
Depois que o salso mar a terra banha.
Trazem ferocidade, e furor tanto,
Que a vivos medo, e a mortos faz espanto.
104
— "Aquele que me deste por marido,
Por defender sua terra amedrontada,
Co'o pequeno poder, oferecido
Ao duro golpe está da Maura espada;
E se não for contigo socorrido,
Ver-me-ás dele e do Reino ser privada,
Viúva e triste, e posta em vida escura,
Sem marido, sem Reino, e sem ventura.
105
"Portanto, ó Rei, de quem com puro medo
O corrente Muluca se congela,
Rompe toda a tardança, acude cedo
A miseranda gente de Castela.
Se esse gesto, que mostras claro e ledo,
De pai o verdadeiro amor assela,
Acude e corre, pai, que se não corres,
Pode ser que não aches quem socorres." —
106
"Não de outra sorte a tímida Maria
Falando está, que a triste Vênus, quando
A Júpiter, seu pai, favor pedia
Para Eneias, seu filho, navegando;
Que a tanta piedade o comovia
Que, caído das mãos o raio infando,
Tudo o clemente Padre lhe concede,
Pesando-lhe do pouco que lhe pede.
107 - Batalha do Solado
"Mas já co'os esquadrões da gente armada
Os Eborenses campos vão coalhados:
Lustra co'o Sol o arnês, a lança, a espada;
Vão rinchando os cavalos jaezados.
A canora trombeta embandeirada,
Os corações à paz acostumados
Vai às fulgentes armas incitando,
Pelas concavidades retumbando.
108
"Entre todos no meio se sublima,
Das insígnias Reais acompanhado,
O valeroso Afonso, que por cima
De todos leva o colo alevantado;
E somente co'o gesto esforça e anima
A qualquer coração amedrontado.
Assim entra nas terras de Castela
Com a filha gentil, Rainha dela.
109
"Juntos os dous Afonsos finalmente
Nos campos de Tarifa estão defronte
Da grande multidão da cega gente,
Para quem são pequenos campo e monte.
Não há peito tão alto e tão potente,
Que de desconfiança não se afronte,
Enquanto não conheça e claro veja
Que co'o braço dos seus Cristo peleja.
110
"Estão de Agar os netos quase rindo
Do poder dos Cristãos fraco e pequeno,
As terras como suas repartindo
Antemão, entre o exército Agareno,
Que com título falso possuindo
Está o famoso nome Sarraceno.
Assim também com falsa conta e nua,
À nobre terra alheia chamam sua.
111
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
FETICHE
Brisa dos Dias
Crescer ou morrer?
Por:Eduardo Cabrita, Deputado do PS
Os dados económicos desta semana confirmam o abrandamento da economia internacional e a crescente incapacidade do pensamento único liberal para motivar os povos para sacrifícios redentores de um futuro animado por mercados confiantes e salvadores.
Já não são só mal-amados como Krugman e Stiglitz que dizem que mais austeridade não salva o doente e pode até matá-lo. Face à paralisia da economia americana, à velha doença japonesa e ao inesperado abrandamento franco-alemão, é a nova diva do FMI, a senhora Lagarde, que vem pedir aos Estados mais ricos para não bloquearem o crescimento económico, isto é, que evitem a depressão geral.
Em 2008, a ganância em êxtase com os lucros sempre crescentes ia provando a tese marxista da capacidade de autodestruição do capitalismo. A banca foi salva pelo velho e gordo Estado, que pôs os remediados a pagar e os pobres a penar pelos desvarios dos ricos. Desde então, a taça da vingança tem sido servida gelada, entre a crise dos modelos sociais e uma visão messiânica da economia. O irrealismo ideológico só é comparável na insensatez com a velha marcha dos amanhãs que cantam, que esquecia as vítimas do Gulag no caminho para a Terra Prometida vermelha. Aqui os esquecidos são os pobres, os desempregados, os imigrantes todos com uma vaga suspeita de culpa indolente pela sua sorte.
O Tea Party e o ódio a Obama ameaçam ano e meio de bloqueio político com pesados custos para todos, não só os americanos. Merkel arrasta o pé a decisões urgentes para evitar a atração pelo Dia do Juízo Final europeu. A Portugal as doutrinas chegam tarde mas os nossos aprendizes de feiticeiro têm a volúpia de brincar com o fogo criando mais recessão. Depois do imposto extraordinário, veio a eletricidade e a promessa gulosa de mais dois aumentos de IVA – um para aumentar a receita e outro para compensar o fetiche ideológico da baixa da TSU para as empresas. A surpresa no segundo trimestre é que, apesar da crise política, as exportações cresceram 17% e o PIB não afundou relativamente ao início do ano, mas a caminho do paraíso liberal Passos, Gaspar e Álvaro vão conseguir… até o doente se revoltar ou não mais resistir.
Crescer ou morrer?
Por:Eduardo Cabrita, Deputado do PS
Os dados económicos desta semana confirmam o abrandamento da economia internacional e a crescente incapacidade do pensamento único liberal para motivar os povos para sacrifícios redentores de um futuro animado por mercados confiantes e salvadores.
Já não são só mal-amados como Krugman e Stiglitz que dizem que mais austeridade não salva o doente e pode até matá-lo. Face à paralisia da economia americana, à velha doença japonesa e ao inesperado abrandamento franco-alemão, é a nova diva do FMI, a senhora Lagarde, que vem pedir aos Estados mais ricos para não bloquearem o crescimento económico, isto é, que evitem a depressão geral.
Em 2008, a ganância em êxtase com os lucros sempre crescentes ia provando a tese marxista da capacidade de autodestruição do capitalismo. A banca foi salva pelo velho e gordo Estado, que pôs os remediados a pagar e os pobres a penar pelos desvarios dos ricos. Desde então, a taça da vingança tem sido servida gelada, entre a crise dos modelos sociais e uma visão messiânica da economia. O irrealismo ideológico só é comparável na insensatez com a velha marcha dos amanhãs que cantam, que esquecia as vítimas do Gulag no caminho para a Terra Prometida vermelha. Aqui os esquecidos são os pobres, os desempregados, os imigrantes todos com uma vaga suspeita de culpa indolente pela sua sorte.
O Tea Party e o ódio a Obama ameaçam ano e meio de bloqueio político com pesados custos para todos, não só os americanos. Merkel arrasta o pé a decisões urgentes para evitar a atração pelo Dia do Juízo Final europeu. A Portugal as doutrinas chegam tarde mas os nossos aprendizes de feiticeiro têm a volúpia de brincar com o fogo criando mais recessão. Depois do imposto extraordinário, veio a eletricidade e a promessa gulosa de mais dois aumentos de IVA – um para aumentar a receita e outro para compensar o fetiche ideológico da baixa da TSU para as empresas. A surpresa no segundo trimestre é que, apesar da crise política, as exportações cresceram 17% e o PIB não afundou relativamente ao início do ano, mas a caminho do paraíso liberal Passos, Gaspar e Álvaro vão conseguir… até o doente se revoltar ou não mais resistir.
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